sábado, 22 de agosto de 2009

Deixe-se em PAZ


Imagine-se numa quietude inabalável, sem problemas e decisões difíceis a serem tomadas. Imagine que o mundo não tem mais injustiças de nenhum tipo e nada para abalar sua tranqüilidade. Enfim, imagine uma harmonia estável, constante e ininterrupta. Parece impossível? E é. A paz, que é o assunto deste texto, não tem nada a ver com um mundo perfeito, sem conflitos. Ainda bem, aliás, porque os conflitos são a matérias-primas da realidade, são a trama da vida. Paz, dizem às pessoas que a estudam e a conhecem, é o que se ganha quando se aprende a lidar com eles. E é sobre isso que vou escrever hoje: como tentar construir nossa paz e transmiti-la. Convenhamos, o mundo anda carente disso.
Quando se fala em conflito, é comum a gente pensar em um confronto com outra pessoa. Mas os conflitos, dizem os especialistas, moram dentro da gente. Já ouviu falar que “quando um não quer, dois não brigam”? É isso. Em geral, entramos em conflito quando nossas necessidades não estão sendo atendidas. Sim, necessidades, aquelas coisas essenciais à vida, como comer, dormir e ser amado. Acontece que dificilmente dizemos claramente nossas necessidades, porque mesmo as mais básicas vêm ricamente embaladas em desejos e gostos pessoais. Necessitamos, por exemplo, de nutrição e saúde, por isso queremos comida. Sentimos necessidade de diversão, por isso queremos ver TV. Precisamos de segurança e intimidade, por isso queremos companhia. Quando a gestante decide que “precisa” cuscuz, na verdade ela está com fome. Mas, em meio àquela tempestade hormonal típica da gravidez, o cuscuz é a única coisa em que ela consegue pensar sem sentir que vai virar do avesso. Pronto. Está armada a confusão entre necessidade e desejo. E tome conflito para convencer o marido a sair à caça de um cuscuz. Moral da história: o primeiro passo para quem quer viver numa boa é conhecer os próprios desejos e necessidades. E não confundi-los.
Desligue o automático
Maria ia tranqüilamente para o trabalho numa manhã de sol. Tão tranqüila que não viu o carro que vinha atrás e o fechou. Em retribuição, o outro motorista a saudou com palavrões. Maria pediu desculpas. E ganhou outros impropérios em troca. Sem saber o que fazer, ela lembrou um ensinamento de sua manicure a um sobrinho: “Na hora da raiva, em vez de mostrar o dedinho feio, é muito melhor mandar um beijo”. Foi o que ela fez, interrompendo o motorista, que ainda declamava seu repertório de insultos. “Ele ficou completamente surpreso e desarmado. No final, já estava mandando beijo também.”
Imagine se Maria, num reflexo, saísse a xingar o sujeito. Adeus, bom dia. “Em vez de entrar na mesma esfera de energia, de violência, de rudez, de agressão, a gente pode entender e responder de uma forma não agressiva”, diz a monja Coen, do Mosteiro ZaZen, de São Paulo. Não que seja fácil modificar velhos hábitos – para quem não é monge. Mas também não é impossível.
Assuma o que sente
O primeiro passo é observar as próprias emoções. Costumamos achar que nos conhecemos bastante e podemos agir só com o raciocínio. Mas a verdade é que os acontecimentos cotidianos afetam nossas emoções, e isso faz toda a diferença. Partindo dos mesmos fatos, mas montado em emoções diferentes, nosso raciocínio é capaz de chegar a conclusões (e atitudes) completamente distintas. E às vezes dignas de arrependimento. Isso porque o pensamento não dá conta de todas as variáveis da realidade. “Toda razão, por melhor e mais tempo pensada, é incompleta, o que obriga que não haja decisão sem risco, sem afeto.”
A dica é velha, e por isso mesmo preciosa: em uma situação de confronto, pare e observe a si mesmo – se não deu para parar, analise depois. Você está nervoso? Por quê? Pode ser uma dor de cabeça que tirou o humor, um mal-entendido com alguém, uma ansiedade pela notícia de algum parente, uma noite mal dormida. Não, não é fácil descobrir. Facilita se tem alguém para ajudar. Mas dá para fazer sozinho, também. E com a prática fica mais rápido.
É claro que, ao espiar o próprio umbigo, periga você achar o que não queria ver: raiva do pai ou da mãe, do filho, da filha, do namorado, da namorada, da secretária, do boy, do motorista, culpa por uma atitude muito errada do passado, aquela invejazinha do sucesso do irmão, ou o irmão de cuca fresca, o transito, a dieta, o calor, o frio.... Não adianta fingir que não viu. Segundo os especialistas, esconder os sentimentos ruins não vai fazê-los ir embora, só vai deixá-los lá, criando conflito e tirando sua paz. A raiva, o egoísmo a prepotência, fazem parte da natureza humana. Todo mundo sente, você também. E não vá sair por aí culpando as outras pessoas por isso.
Respire, respire mais uma vez, se for preciso conte até dez, mas dei-se em PAZ...

terça-feira, 14 de abril de 2009

Cada dia que nasce....


A vida proporciona a todos, bons motivos para que se sintam felizes e em paz consigo mesmo! Por isso, todos, sem exceção, ao acordarmos pela manhã, temos a possabilidade de criarmos e darmos um sentido melhor a tudo o que pensamos, sentimos e fazemos, basta estarmos dispostos a isso.

Na verdade, errar é algo que faz parte do contexto, o que não vale e "não pode" é cometermos erros recorrentes, repetitivos, que denotam falta de cuidado sobre nossos atos. Muito do que acontece no meio externo é consequência, ou seja, é resultado de escolhas internas, daquilo que, em determinado momento, nós acreditamos(por opção ou por falta dela) que seria o melhor a fazer e fizemos.

Reconhecer o que precisa ser corrigido é o primenro passo para a evolução do caminho a percorrer. Acumular frustações e insatisfações, sem resolvê-las, gera muitos sintomas físicos e diversas doenças psicosomáticas.

Manter pensamentos destrutivos e carregar situações mal resolvidas por longo período de tempo desestabiliza todo aspecto emocional, interfere negativamente nas relações sociais e familiares.

É preciso ser flexível consigo mesmo e com a vida. Aceitar os limites e se esforçar para acumular e preservar, dentro da própria mente, um volume razoável de bons pensamentos e de boas ações, para que essa "energia positiva" seja, diariamente, "desejada" em nosso corpo, proporcionando nos uma ótima sensação de bem estar e desejo de continuar a viver a vida em sua plenitude.

Pensar apenas no que não deu certo e nas escolhas erradas que fizemos, só alimenta a tristeza e a ilusão de que não temos capacidade de produzirmos coisas boas e atraírmos boa sorte.

Nem sempre o mérito das boas atitudes vem rapidamente, mas se persistirmos e nos mantermos centrados nelas, no tempo e na hora certa, estaremos colhendo os bons frutos, mas para isso acontecer é preciso que haja determinação, amor próprio e dedicação no que tem que ser feito.

A cada dia que nasce, surpreenda-se com novas e melhores atitudes para você mesmo, cuide de sua saúde física e mental, e não aceite que nada nem ninguém tire a sua alegria de viver, e lembre-se: as boas oportunidades existem para todos, crie as suas!!!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Tempo


Tenho refletido bastante sobre o tempo, o tempo em todas as dimensões. Sobre o valor do tempo e o peso de sua escassez, mal do século. Me pego pesando que quando Vinícius de Moraes escreveu "Meu tempo é quando", deixou suspensas interrogações e infinitas possibilidades. Parafraseando o poeta, eu escreveria "Meu tempo é hoje", concreto, palpável, finito, veloz.
Hoje, depois de outro hoje, depois de outro ainda mais urgente hoje. E para quê? "Vivemos de maneira tão maluca", somos condicionados a nunca parar de acumular. Juntamos de tudo: dinheiro, experiência, conhecimento, sons, doenças, palavras, marcas, traumas... Mas, chega uma hora em que temos que fazer a curva, começar a abrir mão, jogar fora o que não serve, dispensar. Ao nos darmos conta disso será que mudamos a nossa inserção no tempo?!
O tempo como principal maestro da vida nos impulsiona a jogar fora algumas coisas, faz nascer outras, um tempo de qualidade diferente, um tempo de correção, um tempo pra cultivar o que quer que germine.
A relação com temporalidade e as fases da vida são muito interessantes, na primeira fase da vida corremos junto com o tempo, não queremos que ele nos pegue.É como se fôssemos o primeiro da maratona: o tempo está no nosso calcanhar e queremos vencer a prova.
Depois de uma certa idade deixamos o tempo passar à nossa frente.Não temos mais medo dele, e até falamos: "Passa tempo, passa, porque você me transforma, e eu não fujo de você".
Será que o grande objetivo é silenciar a mente para aguçar a percepção imediata. As mulheres fazem isso melhor que os homens, elas lidam melhor com o tempo, sem desespero e não dissimulam nada. Elas são íntegras, dizem a verdade e tem uma sabedoria estável diante da vida.
Quando temos 20 anos não podemos ficar numa atitude contemplativa, mas quem já fez 40 precisa encontrar tempo pra ficar quieta, prestar atenção, olhar o que acontece em volta. Porque vivemos de uma maneira maluca. nossa bagagem nos trouxe até aqui, mas será que no fazer a curva, jogar o que não serve não temos também que nos esvaziar de um monte de vozes, de discursos, de sabores. Isso tudo nos trouxe até aqui, mas é preciso se abrir para outras percepções, pois o acumulo atrapalha. Observe sua pilha de coisas, isso é sua vida?
Não, a vida não é só isso. Se nos dermos conta que a vida não é só isso, mudamos a nossa inserção no tempo.
O que eu noto é que as esperanças do passado acabaram, porém o medo do futuro é enorme, e com os avanços tecnológicos, as pessoas agora têm a chance de viver mais, e querem isso, mas acho que fica uma pergunta, como vou me virar neste mundo com tantas incertezas? Parece que isso causa uma espécie de pânico rebaixado, que vem a ser um temor contido, do qual ninguém fala abertamente, mas que está sempre presente.
Que importância damos aos valores fundamentais para a manutenção da vida que é o nosso bem comum supremo e finito. Lembrar que a transformação está nas pequenas ações, baseadas no amor, na tolerância, na paz, na ética. São essas pequenas coisas, esses valores que tem o poder de organizar o mundo confuso.
Eu li algo que falava sobre solidão no século XXI, era mais ou menos assim: "As pessoas sentem necessidade de encontrar alguém que as conheça de verdade. Isso vem antes do desejo de ter companhia, de pertencer a um grupo, de ter parceiros para acasalar, até de serem amadas. A solidão é o estado de quem não tem ninguém que se interessa por conhece-la. Um terapeuta pode ajudar porque ele faz essa troca em cada sessão, e nessa relação a pessoa solitária ou não , também se conhece. Essa troca é de amor, que pode criticar e apontar falhas, mas não julgar.
Pensando muito no "tempo", nas dobras do tempo...
Dizem que ele não para. Que tem um feitiço que não se explica.
Quem tentou explicar disse que ele era relativo. De fato: o tempo depende de para que...
Penso em algumas situações...
-Um delicioso beijo, o tempo podia parar...
-A arte de repousar hoje, parece coisa do passado...
-O fóssil é uma testemunha do tempo. A pedra também...
-Usain Bolt: nas Olimpíadas de Pequim, o recorde dos 100 metros raso do homem mais veloz do mundo...
-Nove meses inesquecíveis: o tempo de espera e do milagre. Quando a gente quer que o tempo voe...
-O Jet lag acusa os efeitos do descompasso entre o ritmo biológico e o do relógio causado pela diferença de fuso horário...
-Paz, quietude, meditação e fé: uma porta para outra dimensão temporal...
-Virtual e real: a tecnologia não cessa de criar maneiras de eternizar o instante. Mas ele já passou e o que resta é sua imagem congelada...
- O coelho em Alice no País das Maravilhas: "Ai, ai, meu Deus, alô, Adeus. É tarde, é tarde!"
Em muitos momentos gostaria de poder chamar o "Senhor do Tempo" e pedir: Pare o tempo, para que eu possa aproveitar mais esse momento, de tão delicioso, mas também há momentos em que gostaria de pedir: Corra com o tempo, para que o momento triste passe rápido, se tivéssemos esse poder....
Meu tempo é quando....

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Maturidade



Maturidade é um conceito curioso, mágico até. Porque sugere perfeição, algo acabado, pronto, mas também aperfeiçoamento. No final, sua melhor definição é quase um paradoxo: perfeição em evolução. Nada mais humano, concluo. Ao longo da vida, assumimos papéis diversos e ansiamos por saber responder aos desafios de cada etapa, mas a boa resposta de agora pode não servir mais adiante. Assim, a perfeição de uma criança talvez não caiba a um adolescente e vontades de um jovem de 20 anos talvez não prestem a um octogenário. No entanto, todos eles podem ser maduros à sua maneira. E nem sempre o mais velho amadureceu mais.
Mas o tempo importa, sim. Todo ser vivo tem fases de desenvolvimento e cada um desses períodos biológicos (infância, puberdade, adultidade e velhice) possui seu ponto maturacional. Pense numa criança de 10 anos. Ela já tem amigos e responsabilidades, ela lê, brinca, aprende a lidar com a família, dá respostas. É o exercício dessas capacidades, essas experiências acumuladas, que constrói a confiança da criança e lhe dá segurança em suas decisões.
Aos 25 anos, biologicamente você parou de crescer. A partir de então, o ser humano vive sua plenitude genética, de conquista, de lutas,lá pelos 35, a pessoa solidifica a vida e seu mundo. Estrutura seu ambiente, suas relações profissionais, relações emocionais, sua subsistência. Nessa fase de maturidade, você pode inventar seu jeito de ser mãe, mãe casada, solteira, inventar seu jeito de ser profissional, mulher, marido, amigo. Você tem mil possibilidades e está sendo favorecido pela quantidade de hormônios que recebe. Daí até os 100 anos, o corpo muda, oportunidades surgirão e desaparecerão. O lugar e o papel de cada um no mundo evolui. "Maduro é aquele que, dentro de cada fase, teve o máximo de experiência e de competência para lidar consigo e com o mundo em cada etapa. Ele é capaz de agir, pensar e sentir a partir de si próprio. Identifica-se consigo mesmo.”
Mas ninguém é maduro e pronto. As atitudes é que são maduras. Alguém que agiu de maneira adequada aqui pode tropeçar logo adiante, e há gente que vive de forma madura no trabalho, mas se atrapalha no casamento. As tradições filosóficas pregam a conquista da madureza pelo cultivo. "O processo de maturidade costuma ser gradual - e contínuo. Ninguém amadurece de repente. Você amadurece fazendo escolhas, mas é decidindo que se aprende a decidir.”
Mas não é preciso ser um estudioso humano para conhecer a maturidade. Ela existe em todos .
Não se reprima
Culpa, arrependimento e vergonha não combinam com maturidade, só limitam a vida. Conselho: combata-os.
“Eu diria que maturidade é quando a gente pode tornar-se a criança que foi ou que não conseguiu ser. Para atingir esse estágio é necessário abandonar o que se chama de sentimento de culpa. E substituí-lo por responsabilidade e amor incondicional por si mesmo, sem críticas maiores.
Eu me conheço o suficiente para saber que tenho de me jogar no que faço e acho que faz parte da maturidade saber que nada é definitivo. Se der errado, a gente faz de novo.
A maturidade sugere que você se liberte da vergonha. A vergonha é um sentimento de insegurança. É quando tememos que o outro nos conheça como realmente somos”.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A Vida se Reconstrói.


Há determinados momentos no caminho de uma pessoa em que ela se vê frente a uma destruição irreparável. Algumas vezes está vinculada ao inesperado falecimento de um ente querido; em muitas outras, ao brusco término da relação com alguém especialmente amado. O sentimento de perda é arrasador. A impressão é de que a vida perdeu o sentido, a pessoa se sente como se estivesse morta ou morrendo. Certamente alguma coisa lá dentro morreu. Aquele outro se torna uma ausência, uma falta dolorosamente sentida. Em períodos como esse, tenta-se – da maneira que for possível – sobreviver e manter a esperança de um futuro melhor. A morte é triste e irreversível; mais dramático, porém, é o fim não desejado de uma história de amor. Existe uma sensação de fracasso, de derrota e, na maioria das vezes, um vago sentimento de culpa que acompanha a inevitável pergunta: “onde foi que eu errei?” E por vezes perdura a frustrante ilusão de um retorno que não acontece. Lidar com os destroços de um amor encerrado pelo parceiro – muitas vezes sem que se saiba direito o que aconteceu e como – é uma tarefa penosa, tal qual tentar sobreviver a um naufrágio. A sensação de que as emoções estão mortas dentro de si acompanha permanentemente a pessoa. Quando o sentimento de culpa não impera, fica uma noção de impotência e uma idéia dolorosa de estar sendo vítima de uma injustiça: “fiz tudo direito, amei e me comportei bem, fui fiel, não merecia isso”, como se ser amado fosse merecimento. Mas a vida ressurge. Sempre. Ela é mais forte do que a tristeza: supera o peso da dor e ergue-se impávida. Em Nova Iorque, no Soho, na Wooster Street, existe uma instalação do artista plástico Walter De Maria (1935-), chamada “Sala da terra”. Trata-se de um salão de 330 metros quadrados, localizado em um andar qualquer de um prédio comercial, coberto de terra escura. Foi montado em 1977 e desde então lá se encontra, aberto ao público. O visitante pode apreciá-lo da porta e não há muito para ver. Apenas uma camada de terra de cerca de meio metro de altura cobrindo todo o espaço disponível. Um homem está encarregado de tomar conta do local. Sua função é abrir e fechar diariamente a sala nos horários estabelecidos e arrancar as pequenas folhas que constantemente brotam da terra. Sim, porque a vida não cessa e ressurge sempre, mesmo quando já não parece haver mais vida nenhuma. Pode demorar. Os que já passaram por isso sabem que um dia todo o sofrimento passa, a tempestade se desfaz, o bom tempo volta e o sol torna a brilhar, a aquecer a alma e a iluminar os caminhos. Quem ainda não chegou a esse momento pode acreditar: isso passa; pode demorar, mas passa. É preciso manter viva a chama da esperança e acreditar na capacidade de ressurreição do coração arrasado. Sempre haverá no futuro a possibilidade de um novo amor e é necessário estar preparado para receber essa dádiva preciosa. E um dia, em um futuro por vezes nem tão distante assim, a nova paixão ilumina com seu brilho a alma, como o sol que ressurge e nos aquece após um longo período de mau tempo. Ou como a primavera que rebrota depois de um longo e escuro inverno. A vida se impõe. Sempre.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

As sem-razões do amor


As sem-razões do amor


Eu te amo porque te amo,

Não precisas ser amante,

e nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça

e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,

é semeado no vento,

na cachoeira, no eclipse.

Amor foge a dicionários

e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo

bastante ou demais a mim.

Porque amor não se troca,

não se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,

feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,

e da morte vencedor,

por mais que o matem (e matam)

a cada instante de amor.


segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A medida das coisas


Se existe um dado que caracteriza a sociedade desde a Revolução Industrial, é a mania de mensurar tudo. Inclui-se aí a tendência que temos de querer colocar até o afeto. O quanto o outro me dá e em qual medida eu retribuo. Essa é a questão. Lembre-se das frases "Você não está me dando atenção suficiente" e "Será que você me dá o tanto de amor que recebe?". Bom, A primeira coisa a saber é que estamos numa tremenda armadilha. Não existe um medidor de sentimento, prazer, amor que sirva como refêrencia do que eu recebo e dou em troca.

É um erro comum oferecer gestos de generosidade calculando qual será a contrapartida. " A espontaniedade revelada o amor e o cuidado que você tem pelo outro. Não dá para forçar e enquadrar a emoção" . Se a relação é desequilibrada pelo menos diante de seus olhos vale a pena se perguntar porque está havendo reciprocidade, sim, porque é inegavél que todos queremos receber amor. Mas não necessário medir cada ato ou colocar o outro contra a parede para saber quem está sendo mais ou menos amoroso. "O caminho para o equilíbrio entre dar e receber está dentro de você, e é só olhando para si, com respeito e paciência, que surgirão as respostas".

Só é possível dar o que se tem, o amor não brota por si só. Ele precisa de um solo fértil, o que nem sempre acontece: alguns recebem muito cuidado e calor na infância, quando se formam a personalidade e os sentimentos, e outros, nem tanto. Ou seja, antes de impor medidas, perceba que só é possível entregar o que se tem. " Alguns de nós têm dificuldades de amar, o que compromete a capacidade de doar". Se precisamos ser lembrados de fazer alguma coisa é porque esse não é um comportamento tão espontâneo.

É claro que tudo pode ser tranformado e cultivado. E é possível, sim, mudar o panorama do desamor porque ninguém está condenado a se sentir devedor para o resto da vida.
Foto Silene

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

A Montanha Encantada



Olhou para a Montanha Encantada que se erguia longe, no horizonte. Na Montanha Encantada crescia árvore do fruto vermelho, que incendiava aqueles que o comiam.
Era o fruto do amor. O amor incendeia.
Diziam que a Fênix o comia para incendiar-se, transformar-se em cinzas para renascer 100 anos depois.
Olhou então para a Montanha Encantada. Ela o chamava.
Abriu então suas asa e vôou sem parar e sem se cansar até que chegou. O fruto mágico, vermelho como fogo, pendia de um galho.
Tudo correu mansamente. O Pássaro comeu o fruto vermelho do amor e seu corpo se incendiou.
Suas penas se desprenderam do seu corpo e voaram para longe levadas pelo vento.
Em cada uma de suas penas estava escrita uma estória de amor que ele contara para a Menina. Voaram por todo o mundo.
Uma pequena pluma flutuava ao ar.
Nela estava escrita a estória que você acabou de ler...

FIM
Foto Net

A Menina


A menina se sentia iluminada pelo canto do Pássaro e ela lhe cantarolava sorridente: you are my sunshine...” Sim o Pássaro Encantado iluminava o rosto da Menina como o Sol. E o rosto da Menina iluminava o rosto do Pássaro como a Lua.
E assim foi por muito tempo. O Pássaro voava. A Menina sentia saudade. Ele voltava e eles se amavam.
Aconteceu, entretanto, que ao voltar de uma viagem (o Pássaro lhe trouxera um presente de amor) o Pássaro notou que algo acontecera com a Menina.
Ela o recebeu com um rosto sério e lhe disse:
“Alguma coisa aconteceu dentro de mim. Meu coração mudou.
Descobri que sem você eu posso ser feliz. Eu não o amo mais. Não quero mais ouvir suas estórias.
Preciso partir porque suas asas duras não podem me levar aos lugares suaves onde quero estar...”
Foi só então que o Pássaro notou que translúcidas asas de borboleta haviam crescido nas costas da Menina. Ela se preparava para partir.
A Menina partiu. O Pássaro ficou.
O Pássaro sentiu então um grande cansaço. Quando o amor parte o cansaço vem.
(Não acabou!)
Foto Net

O Pássaro Encantado




O Pássaro Encantado já estava velho. Em sua vida longa voara por todas as partes do mundo. Voava para sentir saudade porque sabia que na saudade que o amor cresce. Mas voltava sempre para contar estórias para uma Menina que ficara a sua espera.
Agora estava cansado. Suas asas já não eram as asas da mocidade.
Lembrou-se de quando era criança. Lembrou-se do seu deslumbramento vendo céu cheio de estrelas que moravam os deuses. Abriu suas asas e voou para chegar à morada dos deuses. Ele queria chegar aos deuses para pedir-lhes que descessem a terra para enxugar as lágrimas dos que sofriam. Mas chegando lá nada encontrou; apenas o vazio. Os deuses haviam emigrado, abandonando-nos-órfãos.
Lembrou-se então dos seus vôos em busca dos heróis que haveriam de transformar o mundo. Mas quando os conheceu achou-os pequenos, mesquinhos e cheios de ódio. Não amavam nem música nem poesia. Só falavam sobre lanças e espadas.
Lembrou-se de sua passagem pela casa da ciência, morada dos homens da verdade. Mas percebeu que ali os homens não tinham asas. Andavam cuidadosos olhando para o chão, com medo de tropeçar e cair. E os diplomas que distribuíam eram fetos mortos fechados em tubos de ensaio.
Lembro-se então do seu encontro com as crianças. Foi aí que encontrou a alegria. Foi aí que ele começou a contar estórias. Para as crianças. Porque elas são leves, sabem rir e sabem chorar.
Aconteceu, então que uma Menina se apaixonou pelo Pássaro e lhe disse que viveria com ele até o fim de sua vida. O Pássaro também a amou e disse que viveria com ela até o fim de sua vida.
E, como nas “Mil e Uma Noites”, contou-lhe muitas estórias. Contou-lhe sobre um mercado onde namorados se encontravam e andavam de mãos dadas. Contou-lhe sobre trens que levavam a lugares de ternuras. E estórias sobre gargantas cortadas nas rochas das montanhas sob a chuva que caía, de pontes cobertas com tristes finais de amor, de bosques de árvores brancas, de serra tão altas que encostavam nas estrelas, de geleiras frias de gelos brancos e azuis, de lagos límpidos onde sereias nadavam nuas, de cachoeiras encantadas onde moravam elfos e gnomos, de lobos e falcões que se amavam sem poder se tocar, de uma pedra, de pedras encantadas à beira da cascata onde os namorados se amavam.

(não acabou!)
Foto Net

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Pequeno dicionário diferente.


A

Adolescente - toda criatura que tem fogos de artifício dentro dela.

Alegria - bloco de carnaval que não liga, se não é fevereiro.

Ansiedade - quando faltam cinco minutos sempre para o quer que seja.

B

Beija-flor - a coisa que mais se parece com flor, tirando mulheres apaixonadas, borboletas e filhos.

Beijo - um carimbo que serve para mostrar que a gente gosta daquilo.

Belo - tudo que faz os olhos pensar que é coração.

Bondade - aquilo que sai do coração quando a torneira está aberta.

C

Calma - quando as agonias dormem profundamente dentro da gente.

Certeza - quando a idéia cansa de procurar e pára.

D

Dor - é tudo aquilo que dá vontade de dizer "ai" lá dentro do peito, seja topada, perda, cascudo ou abandono.

E

Elogio - é quando a frase surte efeito de champanhe.

Encontro - a reunião formada pelo que procurava, pelo achado e pelo acaso.

Engano - quando era pra ser, mas não era.

Estímulo - um cutucão na vontade.

F

Fantasia - qualquer tipo de "já pensou se fosse assim?".

Fé - é toda certeza que dispensa provas.

Fidelidade - um trato que você faz com você mesmo de cumprir os tratos que você fez com os outros.

Flerte - quando se joga escravos-de- com os olhos.

Franqueza - é quando as verdades querem sair e saem mesmo e pronto.

G

Gente - é carne, osso, alma, sentimento, tudo isso ao mesmo tempo.

Graça - é tudo dado e recebido com sorriso.

H

Homem - ser de duas cabeças, uma em cima e outra em baixo, mas em 99,99% das vezes só usa a de baixo.

I

Idade - aquilo que você tem certeza que vai ganhar de aniversário queira ou não queira.

Ingenuidade - é quando o saber ainda está nu.

indecisão - é quando você sabe muito bem o que quer, mas acha que deveria querer outra coisa.

Interesse - ponto de exclamação ou interrogação no final do sentimento.

Irritação - um alarme de carro que dispara bem no meio do seu peito.

J

Joaninha - bichinho que deve ter nascido num dia em que a Criação estava especialmente bem-humorada.

L

Liberdade - um azul que atrai e espanta ao mesmo tempo.

Loucura - é coisa que quem não tem só pode ser completamente louco.

Lucidez - é quando o pensamento não está fora de foco.

M


Mãe - é aquilo que dá vontade de gritar quando a gente não sabe o que fazer.

Maturidade - quando o enredo da pessoa se depara com sua trama central.

N

Namoro - é quando o universo inteiro em volta importa menos que o abraço.

Novela - a única situação em que, quanto mais complicação houver, mais a gente gosta.

O

Ousadia - é quando o coração diz para a coragem "vá" e a coragem vai mesmo.

P

Paciência - é uma mãe que existe em todos nós.

Paixão - quando apesar da palavra "perigo" o desejo vai e entra.

Perdão - quando o Natal acontece em maio, por exemplo.

Preocupação - é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair do seu pensamento.

Q

Quase - é o curinga de todas as incertezas.

Quotidiano - tentativa de deixar cotidiano um pouco diferente.

R

Rancor - quando o fundo do coração não consegue dizer "deixa pra lá."

Recordação - quando um pedacinho do passado volta ainda mais enfeitado.

Resposta - frase-luz que ilumina frase-escura.

Romance - caso de amor muito bem encadernado.

S

Sedução - mania que tem os olhos, os ombros, a cintura, os quadris e a voz de brincar de imã.

Sentimento - a língua que o coração usa quando quer mandar algum recado.

Saudade - quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue, ou melhor é a ausência da presença.

Silêncio - quando os ruídos estão sem assunto.

Sucesso - quando você faz o que sabe fazer só que todo mundo percebe.

T

Ternura - é amor com recheio de goiaba.

Trégua - um pedacinho de paz espremido entre duas lutas.

U

Urbano - sem vacas.

Urgente - algo que não da tempo de fazer xixi primeiro.


V


V - paz e amor.

Vaidoso - para quem a vida é avenida.

Vaivém - quando a certeza está com uma preguiça danada.

Vontade - é um desejo que cisma que você é a casa dele.

X

Xeque-mate - quando só resta ao rei imitar o poeta e pedir um tango argentino.

Xô - única palavra do dicionário das aves traduzida para o português.

Z

Zangado - um anãozinho da Branca de Neve que baixa na gente de vez em quando.

Zen - quem consegue não enlouquecer mesmo sem tomar calmante.

Zureta - como a cabeça fica ao final de um dicionário inteiro.
Foto Net Testino

sábado, 2 de agosto de 2008

Cinza




O dia amanheceu cinza...



O céu estava cinza...



O sol estava cinza...



E todo verde estava cinza, procurei algo colorido que me alegrasse, mas naquele dia tudo estava cinza, todo colorido estava agora cinza, e só me restava aguardar que o colorido se esquecesse da tristeza e voltasse a colorir o que o cinza tinha se tornado.
Foto Silene

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O que estão todos fazendo em vez de dizer: "EU TE AMO"?


Estamos principalmente nos distanciando, destruindo, intimidando, desapontando, degradando, desvalorizando e não sabemos como mudar isso. Uma nova linguagem de amor pode reformular nossas mentes.
O amor é a mais alta forma de comunicação.

A comunicação humana, como diz o ditado, é um conflito entre símbolos que abrange uma variedade de sinais. Porém, é mais do que meio e mensagem, informação e persuasão; ela é também vai de encontro a uma necessidade mais profunda e serve a um propósito mais alto. Sendo clara ou enrolada, tumultuada ou silenciosa, proposital ou distraída, a comunicação é o piso dos encontros e a fundação da comunidade. Ela é, em palavras, a conexão essencial.

Para fazer a conexão humana em relacionamento amoroso, não podemos nos esquecer:

- Diga-me sempre que me ama por meio de palavras, atitudes e gestos. Não presuma que eu já saiba disso. Posso parecer embaraçado e até negar que preciso disso, mas não acredite em mim faça-o da mesma forma.

-Cumprimente-me sempre por trabalhos bem-feitos e não me deprecie, e sim me apoie, quando eu falhar. Não tome as coisas que faço por você por obrigações. Estímulo e elogio aos trabalhos asseguram que vou repeti-los

-Deixe-me saber quando estiver se sentindo por baixo, solitário ou incompreendido. Vai me deixar mais forte saber que tenho força para te confortar. Sentimentos, quando não verbalizados, podem ser destrutivos. Lembre-se de que, apesar de amá-lo, não posso ler sua mente.

-Expresse sentimentos e pensamentos de alegria. Eles dão vitalidade ao nosso relacionamento. É maravilhoso celebrar dias comuns, datas pessoais. Dê presente de amor sem motivo, ouça a si mesmo verbalizar sua felicidade.

-Quando você diz que sou uma pessoa especial, isso faz com que eu supere todas essas pessoas que, durante o dia, passaram por cima de mim e não me viram.

-Não me deprecie, dizendo que o que sinto ou vejo é irreal. Se eu sinto e vejo isso;pra mim; é minha experiência e, por tanto importante e real!

-Ouça-me sem julgar ou preconceber. Ser ouvido, como ser visto, é vital. Se me vê e me ouve como sou neste momento, isso é uma contínua afirmação do meu ser, enquanto nos ajudamos a crescer e mudar.

-Toque-me. Segure-me. Abrace-me. Nós nos sentimos revitalizados através da comunicação de amor não verbal.

-Respeite meus silêncios. Alternativas para meus problemas, criatividade e minhas necessidades espirituais são, na maioria das vezes, realizadas em momentos de quietude.

-Deixe que os outro saibam que você me valoriza. A afirmação pública de nosso amor faz com que eu me sinta especial e orgulhosa. É bom partilhar as alegrias de nosso relacionamento com os outros.
Você deve estar pensando que as ideias anteriores não são realmente necessárias entre pessoas que se amam. Elas ocorrem espontaneamente. Nem tanto. São esses vários aspectos da comunicação que constituem o alicerce de um relacionamento amoroso saudável. Eles também produzem os sons mais maravilhosos do mundo!
Foto Net

quarta-feira, 16 de julho de 2008

10 idéias...

Cada vez mais pessoas estão descobrindo que menos é mais, que não é preciso tantos objetos nem grandes tarefas para tornar a vida valiosa e confortável.
Mas não é preciso esperar a simplicidade virar moda: comece a virar o jogo aqui e agora.
Numa época em que tudo ao redor parece complicado, a busca por uma vida simples e saudável parece sonho.
Administrar o trabalho, a casa e os relacionamentos tornaram-se uma tarefa difícil, incessante. Chegamos a ter saudades do tempo em que não havia computador, TV a cabo e telefone celular. Viramos escravos das novidades, dos últimos modelos, das versões atualizadas, dos upgrades, da informação em tempo real... Um fio que se parte é suficiente para provocar o caos: nos sentimentos desconectados do mundo, em algum buraco negro da civilização.
Uma passagem atribuída a um personagem lendário do sufismo, Muslah Nasrudim – aquele que sempre aparece em anedotas e contos de humor e fina ironia, ilustra bem a necessidade de resgate das coisas que realmente importam na vida. O astuto Nasrudim transportava em um barco um homem famoso por sua erudição. Ele pergunta a Nasrudim se havia aprendido gramática, ao que esse respondeu que não. O erudito afirma, então, que, com isso, Nasrudim perdeu metade de sua vida. O herói, por sua vez, pergunta ao erudito se aprendeu a nadar e este diz que não. “Então, o senhor perdeu toda sua vida”, diz Nasrudim, “pois estamos afundando.” Esse relato mostra o que acontece quando se dá prioridade ao desnecessário - quem precisa de um barqueiro que conhece gramática?- e se colocam em planos secundários as coisas mais simples da vida – como aprender a nadar.
Um bom começo é nos livrarmos de tudo o que é supérfluo. Temos de aprender a doar livros, roupas e badulaques que sobram nas gavetas e nos armários. É possível também aliviar a carga nas responsabilidades diárias, no excesso de compromisso e de atividades. E consumir com mais critério, sabedoria, evitando produtos que aumentem a poluição em nosso organismo ou no nosso meio ambiente. Autoconhecimento, generosidade e momentos junto à natureza podem fazer a tal diferença.
Somos os principais responsáveis por nossa felicidade. Isso inclui frugalidade, a aceitação dos outro, o bom humor.
Vai a seguir, 10 sugestões para tornar a vida mais leve e plena. Claro, não é uma lista completa – ficou de fora “aprender a nadar”, por exemplo -, nem professa que pode mudar sua vida ou salvar o mundo. Isso só você pode fazer.

1- Conheça a si mesmo
2- Pratique o bem
3- Aproxime-se da natureza
4- Livre-se do supérfluo
5- Desacelere
6- Consuma com consciência
7- Cultive a auto-suficiência
8- Coma com sabedoria
9- Exercite a aceitação
10- Ria bastante

Tente...

Foto Net

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Poderosa, mas não muito...


Ela era linda, alta, magra, uma verdadeira top model. Esbanjava sensualidade, seu poder de sedução exalava pelos poros. Vê-la era um êxtase, o mundo se ajoelhava a seus pés. Durante anos fez sucesso, acostumou-se ao movimento das cabeças que viravam para admirá-la. Sentia-se poderosa, mas infeliz. Nada e ninguém preenchia o seu coração.

Com o passar do tempo, a sensação de vazio piorou, a agenda começou a esvaziar também, não era mais solicitada. Mesmo linda, julgava-se "velha" , sobrepujada por belezas mais jovens.Sentia-se insegura, abandonada, mal amada. Será que uma cirurgia plástica resolveria aquele sentimento? Quem sabe, um novo amor, de preferência descartável, só para assegurar que ainda era desejada...

Era tão bonita, dependente da sua imagem exterior, viciada nos olhos dos outros. Perdeu-se de si ao colocar o ponto de referência no que é externo, quando o segredo da vida está justamente no movimento contrário.

A "cirurgia" necessária é transferir o ponto de referência de fora para dentro e isso se faz com desapego em relação ao passado, se faz vivendo o momento presente, aceitando-o como ele vem.

O relacionamento mais importante de qualquer mulher deve ser aquele com ela mesma. É ela quem precisa se olhar com olhos de dentro, respeitar sua natureza e encontrar sua essência. A maneira como a mulher se percebe é a base através da qual ela se torna capaz de amar e ser amada, criando assim genuíno poder: o poder do coração, o poder do espírito. Se a mulher perde o contato com a fonte de amor-próprio, perde também a capacidade de amar e de cuidar dos outros. Ninguém dará nada consistente a ninguém enquanto seu coração estiver vazio.

Muitas mulheres se afastam do principal, algumas se doam ao homem e a família até a exaustão ou, pior, até o ressentimento (por não se sentirem apoiadas emocionalmente em troca). Outras estão tão ocupadas com o trabalho ou a aparência a ponto de não terem tempo ou energia para cuidarem de si mesmas, todas estarão susceptíveis às síndromes da atualidade como depressão, ansiedade, angústia, fadiga crônica, solidão. Mulheres que fazem muito e sentem pouco perdem a conexão com seu poder de deusa, sua autoridade de sábia, sua postura de rainha. viram alvos de doenças associadas ao desamor.

O verdadeiro alimento da alma feminina não vem dos relacionamentos, mas do nosso eu mais profundo, do nosso silêncio interior. E uma das forma de atingir esse silêncio é a meditação. Toda mulher pode acessar o "campo da pura potencialidade", onde reside a criatividade, o amor e a inteligência que permeiam todo universo, a partir de um coração pleno de amor universal, a mulher poderá doar-se sem esforço, quando a alma é saciada, acabam as expectativas ilusórias, cessa a necessidade de "amor ideal", algo sempre sonhado e nunca atingido.

É só partir dessa auto-suficiência, paradoxalmente, que é possível desenvolver relacionamentos profundos e completos.

As antigas tradições nos lembram que viemos ao mundo por uma única razão: Amar. Temos o poder de trazer o Céu, a Terra fazendo com que o amor incondicional brote no nosso coração.

Esse é o único, o verdadeiro poder.
Foto Silene

sábado, 12 de julho de 2008

Quando você amar alguém...


Quando você ama alguém, não o ama o tempo todo exatamente da mesma forma, de momento a momento. Isso é impossível.
É até mesmo uma mentira fingir que é assim. Ainda assim, é exatamente o que a maioria de nós quer. Temos tão pouca fé no fluxo e refluxo da vida, do amor, dos relacionamentos.
Lançamo-nos nos fluxos da maré e resistimos, aterrorizados, aos seu refluxo, temendo que ele não retorne jamais.
Insistimos na permanência, na duração, na continuidade; embora a única continuidade possível, tanto na vida quanto no amor, é a fluidez, o crescimento, a liberdade.
Foto Silene

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Sob a guisa do amor...


Sob a guisa do amor, por vezes existe a maior violação da pessoa, pois nosso amor é sempre dado sob certas condições. "Eu o amarei se tirar boas notas." "Eu o amarei se for bonzinho e respeitar os meus padrões." Gosto de pensar que existe pelo menos uma pessoa nesse mundo que lhe dirá apenas "eu o amarei", sabe, é assim que deviam ser as famílias. Robert Frost disse: "Lar é o lugar aonde você vai e aonde sempre o recebem." E não dizem: "Eu lhe disse. Não devia ter feito isso.". Ao contrário, mãe e pai vão buscar as ataduras e dizem: "Sente-se, vou colocá-las... tente de novo." Uma pessoa! Isso não é pedir demais. Seja isso para alguém. E quando lhe oferecerem isso, aceite-o, pois é tão difícil receber quanto dar. Alguns de nós acham muito mais difícil receber do que dar.
Portanto, a maior batalha que jamais travará é a batalha de ser apenas você. Você vai ter de travá-la o resto da vida, num mundo em que as pessoas se sentem mais à vontade se você puder estar lá para a conveniência delas. Mas, se abdicar do "você" , não resta nada. Mas, se pudermos juntar todas as nossas coisas, podemos nos tornar tudo o que somos. E só então é que você poderá dizer: "Eu sou. Estou me fazendo. Sou amante, pois lhe dou tudo o que sou sem cortinas de fumaça. Eu me dou de graça." Que coisa boa, poder dizer isso. Não o perca. Não perca você. Em algum ponto, encontre-se. aperte as mãos e diga: "Oi. Onde é que esteve, todos esses anos? Bem, já que estamos juntos, podemos seguir nosso caminho." E você vai ver que você não tem fim. Seu potencial é ilimitado. nunca poderemos encontrar uma limitação para o potencial humano. Você pode aprender a tocar como nunca tocou na vida. Olhar como nunca olhou na vida. ouvir como nunca ouviu na vida. Sentir como nunca sentiu! Tornar-se "você" como nunca na vida! E depois disso, verá que não está em lugar algum. Tem mais e mais e mais e mais, tudo para desenvolver e distribuir. Que coisa fantástica! De modo que, quando lhe perguntarem, naquele portão: "Você foi você? Tornou-se você? Você dirá: SIM!"
Foto Silene

domingo, 6 de julho de 2008

Você nunca é a mesma pessoa.


Para começar cada dia, vou me lembrar de comunicar a minha alegria, bem como o meu desespero, para podermos nos conhecer melhor.Para começar cada dia, vou me lembrar de escutá-lo de verdade e procurar ouvir seu ponto de vista, e descobrir o meio menos ameaçador de lhe mostrar o meu, lembrando-nos de que estamos ambos crescendo e mudando de 100 modos diversos. Para começar cada dia vou lembrar-me de que sou um ser humano e não exigir a perfeição de você, até eu ser perfeito. Portanto, você está seguro.
Para começar cada dia, vou procurar estar mais ciente das coisas belas em nosso mundo.
Sei que existe o feio. Mas também existe o belo, e não deixem que lhe digam que não. Vou olhar as flores. Vou olhar as crianças. Vou sentir as brisas frescas. Vou comer boa comida e gostar dela. E vou partilhar essas coisas com você. Um dos maiores elogios é dizer a alguém: "Olhe só para esse pôr-do-sol."Para começar cada dia, eu me lembrarei de estender a mão e tocar em você delicadamente, com meus dedos. Pois não quero deixar de senti-lo. Para começar cada dia, vou dedicar-me novamente ao processo de ser uma amante, e depois ver o que acontece.