segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Maturidade



Maturidade é um conceito curioso, mágico até. Porque sugere perfeição, algo acabado, pronto, mas também aperfeiçoamento. No final, sua melhor definição é quase um paradoxo: perfeição em evolução. Nada mais humano, concluo. Ao longo da vida, assumimos papéis diversos e ansiamos por saber responder aos desafios de cada etapa, mas a boa resposta de agora pode não servir mais adiante. Assim, a perfeição de uma criança talvez não caiba a um adolescente e vontades de um jovem de 20 anos talvez não prestem a um octogenário. No entanto, todos eles podem ser maduros à sua maneira. E nem sempre o mais velho amadureceu mais.
Mas o tempo importa, sim. Todo ser vivo tem fases de desenvolvimento e cada um desses períodos biológicos (infância, puberdade, adultidade e velhice) possui seu ponto maturacional. Pense numa criança de 10 anos. Ela já tem amigos e responsabilidades, ela lê, brinca, aprende a lidar com a família, dá respostas. É o exercício dessas capacidades, essas experiências acumuladas, que constrói a confiança da criança e lhe dá segurança em suas decisões.
Aos 25 anos, biologicamente você parou de crescer. A partir de então, o ser humano vive sua plenitude genética, de conquista, de lutas,lá pelos 35, a pessoa solidifica a vida e seu mundo. Estrutura seu ambiente, suas relações profissionais, relações emocionais, sua subsistência. Nessa fase de maturidade, você pode inventar seu jeito de ser mãe, mãe casada, solteira, inventar seu jeito de ser profissional, mulher, marido, amigo. Você tem mil possibilidades e está sendo favorecido pela quantidade de hormônios que recebe. Daí até os 100 anos, o corpo muda, oportunidades surgirão e desaparecerão. O lugar e o papel de cada um no mundo evolui. "Maduro é aquele que, dentro de cada fase, teve o máximo de experiência e de competência para lidar consigo e com o mundo em cada etapa. Ele é capaz de agir, pensar e sentir a partir de si próprio. Identifica-se consigo mesmo.”
Mas ninguém é maduro e pronto. As atitudes é que são maduras. Alguém que agiu de maneira adequada aqui pode tropeçar logo adiante, e há gente que vive de forma madura no trabalho, mas se atrapalha no casamento. As tradições filosóficas pregam a conquista da madureza pelo cultivo. "O processo de maturidade costuma ser gradual - e contínuo. Ninguém amadurece de repente. Você amadurece fazendo escolhas, mas é decidindo que se aprende a decidir.”
Mas não é preciso ser um estudioso humano para conhecer a maturidade. Ela existe em todos .
Não se reprima
Culpa, arrependimento e vergonha não combinam com maturidade, só limitam a vida. Conselho: combata-os.
“Eu diria que maturidade é quando a gente pode tornar-se a criança que foi ou que não conseguiu ser. Para atingir esse estágio é necessário abandonar o que se chama de sentimento de culpa. E substituí-lo por responsabilidade e amor incondicional por si mesmo, sem críticas maiores.
Eu me conheço o suficiente para saber que tenho de me jogar no que faço e acho que faz parte da maturidade saber que nada é definitivo. Se der errado, a gente faz de novo.
A maturidade sugere que você se liberte da vergonha. A vergonha é um sentimento de insegurança. É quando tememos que o outro nos conheça como realmente somos”.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A Vida se Reconstrói.


Há determinados momentos no caminho de uma pessoa em que ela se vê frente a uma destruição irreparável. Algumas vezes está vinculada ao inesperado falecimento de um ente querido; em muitas outras, ao brusco término da relação com alguém especialmente amado. O sentimento de perda é arrasador. A impressão é de que a vida perdeu o sentido, a pessoa se sente como se estivesse morta ou morrendo. Certamente alguma coisa lá dentro morreu. Aquele outro se torna uma ausência, uma falta dolorosamente sentida. Em períodos como esse, tenta-se – da maneira que for possível – sobreviver e manter a esperança de um futuro melhor. A morte é triste e irreversível; mais dramático, porém, é o fim não desejado de uma história de amor. Existe uma sensação de fracasso, de derrota e, na maioria das vezes, um vago sentimento de culpa que acompanha a inevitável pergunta: “onde foi que eu errei?” E por vezes perdura a frustrante ilusão de um retorno que não acontece. Lidar com os destroços de um amor encerrado pelo parceiro – muitas vezes sem que se saiba direito o que aconteceu e como – é uma tarefa penosa, tal qual tentar sobreviver a um naufrágio. A sensação de que as emoções estão mortas dentro de si acompanha permanentemente a pessoa. Quando o sentimento de culpa não impera, fica uma noção de impotência e uma idéia dolorosa de estar sendo vítima de uma injustiça: “fiz tudo direito, amei e me comportei bem, fui fiel, não merecia isso”, como se ser amado fosse merecimento. Mas a vida ressurge. Sempre. Ela é mais forte do que a tristeza: supera o peso da dor e ergue-se impávida. Em Nova Iorque, no Soho, na Wooster Street, existe uma instalação do artista plástico Walter De Maria (1935-), chamada “Sala da terra”. Trata-se de um salão de 330 metros quadrados, localizado em um andar qualquer de um prédio comercial, coberto de terra escura. Foi montado em 1977 e desde então lá se encontra, aberto ao público. O visitante pode apreciá-lo da porta e não há muito para ver. Apenas uma camada de terra de cerca de meio metro de altura cobrindo todo o espaço disponível. Um homem está encarregado de tomar conta do local. Sua função é abrir e fechar diariamente a sala nos horários estabelecidos e arrancar as pequenas folhas que constantemente brotam da terra. Sim, porque a vida não cessa e ressurge sempre, mesmo quando já não parece haver mais vida nenhuma. Pode demorar. Os que já passaram por isso sabem que um dia todo o sofrimento passa, a tempestade se desfaz, o bom tempo volta e o sol torna a brilhar, a aquecer a alma e a iluminar os caminhos. Quem ainda não chegou a esse momento pode acreditar: isso passa; pode demorar, mas passa. É preciso manter viva a chama da esperança e acreditar na capacidade de ressurreição do coração arrasado. Sempre haverá no futuro a possibilidade de um novo amor e é necessário estar preparado para receber essa dádiva preciosa. E um dia, em um futuro por vezes nem tão distante assim, a nova paixão ilumina com seu brilho a alma, como o sol que ressurge e nos aquece após um longo período de mau tempo. Ou como a primavera que rebrota depois de um longo e escuro inverno. A vida se impõe. Sempre.