
Se existe um dado que caracteriza a sociedade desde a Revolução Industrial, é a mania de mensurar tudo. Inclui-se aí a tendência que temos de querer colocar até o afeto. O quanto o outro me dá e em qual medida eu retribuo. Essa é a questão. Lembre-se das frases "Você não está me dando atenção suficiente" e "Será que você me dá o tanto de amor que recebe?". Bom, A primeira coisa a saber é que estamos numa tremenda armadilha. Não existe um medidor de sentimento, prazer, amor que sirva como refêrencia do que eu recebo e dou em troca.
É um erro comum oferecer gestos de generosidade calculando qual será a contrapartida. " A espontaniedade revelada o amor e o cuidado que você tem pelo outro. Não dá para forçar e enquadrar a emoção" . Se a relação é desequilibrada pelo menos diante de seus olhos vale a pena se perguntar porque está havendo reciprocidade, sim, porque é inegavél que todos queremos receber amor. Mas não necessário medir cada ato ou colocar o outro contra a parede para saber quem está sendo mais ou menos amoroso. "O caminho para o equilíbrio entre dar e receber está dentro de você, e é só olhando para si, com respeito e paciência, que surgirão as respostas".
Só é possível dar o que se tem, o amor não brota por si só. Ele precisa de um solo fértil, o que nem sempre acontece: alguns recebem muito cuidado e calor na infância, quando se formam a personalidade e os sentimentos, e outros, nem tanto. Ou seja, antes de impor medidas, perceba que só é possível entregar o que se tem. " Alguns de nós têm dificuldades de amar, o que compromete a capacidade de doar". Se precisamos ser lembrados de fazer alguma coisa é porque esse não é um comportamento tão espontâneo.
É claro que tudo pode ser tranformado e cultivado. E é possível, sim, mudar o panorama do desamor porque ninguém está condenado a se sentir devedor para o resto da vida.
Foto Silene
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