
Imagine-se numa quietude inabalável, sem problemas e decisões difíceis a serem tomadas. Imagine que o mundo não tem mais injustiças de nenhum tipo e nada para abalar sua tranqüilidade. Enfim, imagine uma harmonia estável, constante e ininterrupta. Parece impossível? E é. A paz, que é o assunto deste texto, não tem nada a ver com um mundo perfeito, sem conflitos. Ainda bem, aliás, porque os conflitos são a matérias-primas da realidade, são a trama da vida. Paz, dizem às pessoas que a estudam e a conhecem, é o que se ganha quando se aprende a lidar com eles. E é sobre isso que vou escrever hoje: como tentar construir nossa paz e transmiti-la. Convenhamos, o mundo anda carente disso.
Quando se fala em conflito, é comum a gente pensar em um confronto com outra pessoa. Mas os conflitos, dizem os especialistas, moram dentro da gente. Já ouviu falar que “quando um não quer, dois não brigam”? É isso. Em geral, entramos em conflito quando nossas necessidades não estão sendo atendidas. Sim, necessidades, aquelas coisas essenciais à vida, como comer, dormir e ser amado. Acontece que dificilmente dizemos claramente nossas necessidades, porque mesmo as mais básicas vêm ricamente embaladas em desejos e gostos pessoais. Necessitamos, por exemplo, de nutrição e saúde, por isso queremos comida. Sentimos necessidade de diversão, por isso queremos ver TV. Precisamos de segurança e intimidade, por isso queremos companhia. Quando a gestante decide que “precisa” cuscuz, na verdade ela está com fome. Mas, em meio àquela tempestade hormonal típica da gravidez, o cuscuz é a única coisa em que ela consegue pensar sem sentir que vai virar do avesso. Pronto. Está armada a confusão entre necessidade e desejo. E tome conflito para convencer o marido a sair à caça de um cuscuz. Moral da história: o primeiro passo para quem quer viver numa boa é conhecer os próprios desejos e necessidades. E não confundi-los.
Desligue o automático
Maria ia tranqüilamente para o trabalho numa manhã de sol. Tão tranqüila que não viu o carro que vinha atrás e o fechou. Em retribuição, o outro motorista a saudou com palavrões. Maria pediu desculpas. E ganhou outros impropérios em troca. Sem saber o que fazer, ela lembrou um ensinamento de sua manicure a um sobrinho: “Na hora da raiva, em vez de mostrar o dedinho feio, é muito melhor mandar um beijo”. Foi o que ela fez, interrompendo o motorista, que ainda declamava seu repertório de insultos. “Ele ficou completamente surpreso e desarmado. No final, já estava mandando beijo também.”
Imagine se Maria, num reflexo, saísse a xingar o sujeito. Adeus, bom dia. “Em vez de entrar na mesma esfera de energia, de violência, de rudez, de agressão, a gente pode entender e responder de uma forma não agressiva”, diz a monja Coen, do Mosteiro ZaZen, de São Paulo. Não que seja fácil modificar velhos hábitos – para quem não é monge. Mas também não é impossível.
Assuma o que sente
O primeiro passo é observar as próprias emoções. Costumamos achar que nos conhecemos bastante e podemos agir só com o raciocínio. Mas a verdade é que os acontecimentos cotidianos afetam nossas emoções, e isso faz toda a diferença. Partindo dos mesmos fatos, mas montado em emoções diferentes, nosso raciocínio é capaz de chegar a conclusões (e atitudes) completamente distintas. E às vezes dignas de arrependimento. Isso porque o pensamento não dá conta de todas as variáveis da realidade. “Toda razão, por melhor e mais tempo pensada, é incompleta, o que obriga que não haja decisão sem risco, sem afeto.”
A dica é velha, e por isso mesmo preciosa: em uma situação de confronto, pare e observe a si mesmo – se não deu para parar, analise depois. Você está nervoso? Por quê? Pode ser uma dor de cabeça que tirou o humor, um mal-entendido com alguém, uma ansiedade pela notícia de algum parente, uma noite mal dormida. Não, não é fácil descobrir. Facilita se tem alguém para ajudar. Mas dá para fazer sozinho, também. E com a prática fica mais rápido.
É claro que, ao espiar o próprio umbigo, periga você achar o que não queria ver: raiva do pai ou da mãe, do filho, da filha, do namorado, da namorada, da secretária, do boy, do motorista, culpa por uma atitude muito errada do passado, aquela invejazinha do sucesso do irmão, ou o irmão de cuca fresca, o transito, a dieta, o calor, o frio.... Não adianta fingir que não viu. Segundo os especialistas, esconder os sentimentos ruins não vai fazê-los ir embora, só vai deixá-los lá, criando conflito e tirando sua paz. A raiva, o egoísmo a prepotência, fazem parte da natureza humana. Todo mundo sente, você também. E não vá sair por aí culpando as outras pessoas por isso.
Quando se fala em conflito, é comum a gente pensar em um confronto com outra pessoa. Mas os conflitos, dizem os especialistas, moram dentro da gente. Já ouviu falar que “quando um não quer, dois não brigam”? É isso. Em geral, entramos em conflito quando nossas necessidades não estão sendo atendidas. Sim, necessidades, aquelas coisas essenciais à vida, como comer, dormir e ser amado. Acontece que dificilmente dizemos claramente nossas necessidades, porque mesmo as mais básicas vêm ricamente embaladas em desejos e gostos pessoais. Necessitamos, por exemplo, de nutrição e saúde, por isso queremos comida. Sentimos necessidade de diversão, por isso queremos ver TV. Precisamos de segurança e intimidade, por isso queremos companhia. Quando a gestante decide que “precisa” cuscuz, na verdade ela está com fome. Mas, em meio àquela tempestade hormonal típica da gravidez, o cuscuz é a única coisa em que ela consegue pensar sem sentir que vai virar do avesso. Pronto. Está armada a confusão entre necessidade e desejo. E tome conflito para convencer o marido a sair à caça de um cuscuz. Moral da história: o primeiro passo para quem quer viver numa boa é conhecer os próprios desejos e necessidades. E não confundi-los.
Desligue o automático
Maria ia tranqüilamente para o trabalho numa manhã de sol. Tão tranqüila que não viu o carro que vinha atrás e o fechou. Em retribuição, o outro motorista a saudou com palavrões. Maria pediu desculpas. E ganhou outros impropérios em troca. Sem saber o que fazer, ela lembrou um ensinamento de sua manicure a um sobrinho: “Na hora da raiva, em vez de mostrar o dedinho feio, é muito melhor mandar um beijo”. Foi o que ela fez, interrompendo o motorista, que ainda declamava seu repertório de insultos. “Ele ficou completamente surpreso e desarmado. No final, já estava mandando beijo também.”
Imagine se Maria, num reflexo, saísse a xingar o sujeito. Adeus, bom dia. “Em vez de entrar na mesma esfera de energia, de violência, de rudez, de agressão, a gente pode entender e responder de uma forma não agressiva”, diz a monja Coen, do Mosteiro ZaZen, de São Paulo. Não que seja fácil modificar velhos hábitos – para quem não é monge. Mas também não é impossível.
Assuma o que sente
O primeiro passo é observar as próprias emoções. Costumamos achar que nos conhecemos bastante e podemos agir só com o raciocínio. Mas a verdade é que os acontecimentos cotidianos afetam nossas emoções, e isso faz toda a diferença. Partindo dos mesmos fatos, mas montado em emoções diferentes, nosso raciocínio é capaz de chegar a conclusões (e atitudes) completamente distintas. E às vezes dignas de arrependimento. Isso porque o pensamento não dá conta de todas as variáveis da realidade. “Toda razão, por melhor e mais tempo pensada, é incompleta, o que obriga que não haja decisão sem risco, sem afeto.”
A dica é velha, e por isso mesmo preciosa: em uma situação de confronto, pare e observe a si mesmo – se não deu para parar, analise depois. Você está nervoso? Por quê? Pode ser uma dor de cabeça que tirou o humor, um mal-entendido com alguém, uma ansiedade pela notícia de algum parente, uma noite mal dormida. Não, não é fácil descobrir. Facilita se tem alguém para ajudar. Mas dá para fazer sozinho, também. E com a prática fica mais rápido.
É claro que, ao espiar o próprio umbigo, periga você achar o que não queria ver: raiva do pai ou da mãe, do filho, da filha, do namorado, da namorada, da secretária, do boy, do motorista, culpa por uma atitude muito errada do passado, aquela invejazinha do sucesso do irmão, ou o irmão de cuca fresca, o transito, a dieta, o calor, o frio.... Não adianta fingir que não viu. Segundo os especialistas, esconder os sentimentos ruins não vai fazê-los ir embora, só vai deixá-los lá, criando conflito e tirando sua paz. A raiva, o egoísmo a prepotência, fazem parte da natureza humana. Todo mundo sente, você também. E não vá sair por aí culpando as outras pessoas por isso.
Respire, respire mais uma vez, se for preciso conte até dez, mas dei-se em PAZ...